




(Source: let-l0ve-rule)

— Pediram pra entregar pra você.
— Quem foi?
— Não posso dizer, prometi que não contava.
— Que lindo!
— Tchau.
— Espera!
— O que foi?
— Você me diz quem mandou esse bilhetinho?
— Tenho que perguntar antes, daqui a pouco eu volto.
Naquele dia ele não voltou. Alguns dias depois, durante o recreio, ele a procurou de novo, dessa vez com uma carta. Como escrevia bem, caprichou na declaração.
— Tem outra mensagem pra você!
— Você sumiu aquele dia…
— Tive que ir embora.
— Me conta quem é que me manda essas coisas lindas?
— Não posso contar.
— Quer ir lanchar comigo?
— Agora?
— É, senta aí. Conta mais sobre esse seu amigo secreto que gosta de mim…
— Ah, não sei se devo. Ele não ia gostar se eu contasse…
Um período letivo se passou e mais cartinhas misteriosas foram entregues. Ele era o menino mais desajeitado da escola. Ela a mais bonita. Ele mal se continha de felicidade. Ninguém entendia aquelas conversas constantes no recreio, eles cada vez mais próximos e ela dando cada vez mais atenção ao garoto. Até que um dia, ela lhe entregou uma cartinha resposta.
— Pode abrir e ler.
— De jeito nenhum! Meu amigo ia ficar chateado…
— Leia, por favor!
Ele começou em voz alta:”Querido admirador secreto, acho que não podemos mais continuar no anônimo. Sei que você teme se mostrar, mas timidez tem limite. Durante esses messes de anonimato, eu me apaixonei por você e pelas suas palavras, mas também por outra pessoa. Talvez ele nem goste de mim como você diz gostar, mas prefiro arriscar a ficar nessa incerteza. Por favor, pergunte ao seu amigo que me entrega as cartas se ele quer ir ao cinema comigo…”. O garoto corou. Dobrou a carta lentamente e, ainda sem conseguir olhar pra ela, perguntou:
— Você sabia?
— Desde o primeiro dia.
— Que bobo eu fui, né?
— É, mas eu adoro bobões desajeitados que escrevem bem. (s-uperar)
(Source: chasing69)
(Source: paraisoassombrado)